‘Não estou 100% feliz. Meu desejo é saber que o país está em paz’, diz paraibana que fugiu de guerra na Ucrânia

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“Não estou 100% feliz. Eu e minha família estamos em segurança, estamos bem, mas não sei como eles [os ucranianos] estão. Meu maior desejo hoje é saber que o país está em paz”. Essas são as palavras da artesã paraibana Silvana Pilipenko, duas semanas após fugir da guerra na Ucrânia. Em João Pessoa desde o dia 10 de abril, Silvana torce pelo fim dos ataques e para que a população local possa reconstruir suas vidas. “Será um processo muito longo, difícil e sofrido”, diz, emocionada.

À TV Correio, Silvana Pilipenko relembrou momentos de horror provocados pelas tropas russas. Ela contou que conviveu com bombardeios todos os 32 dias que passou na guerra.

“Eles davam intervalos de 1h ou 1h30 sem bombardeios e depois começavam de novo. Nós acreditávamos que isso duraria poucos dias, no máximo uma semana. Só que, com o tempo, os ataques foram se intensificando, foram aparecendo mais tipos de bomba. No início, eram mais canhões, depois começaram a sobrevoar aviões e nós passamos a ouvir tiros de metralhadoras. Isso significava que eles estavam atirando mais perto de nós. E aí começamos a ver a destruição ao nosso redor”.

Mariupol, cidade onde Silvana Pilipenko morava, é, desde o início da guerra, a localidade mais atacada pela Rússia. Na semana passada, a Cruz Vermelha informou que a situação humanitária na região “é apocalíptica e que a cidade está morta”. Em Mariupol, não há acesso a comida, água, energia e aquecimento, além da falta de conexão com o mundo externo.

A dificuldade de comunicação foi um dos fatores que contribuiu para a demora no resgate de Silvana. A saída da paraibana da Ucrânia foi articulada pelo filho, Gabriel, que é engenheiro naval, estava a trabalho em Taiwan quando as tropas russas invadiram o país.

“Ele tentou de várias formas nos localizar, mas não havia comunicação, ele não tinha como ter contato com ninguém de Mariupol. Então ele acionou um grupo de mercenários, talvez não profissionais, mas que queriam ou precisavam ganhar dinheiro, e contratou duas pessoas. O primeiro rapaz não conseguiu nos achar. Tentou, mas acabou desistindo. O segundo foi quem conseguiu chegar até onde nós estávamos”, relatou.

 

Portal Correio