Lola, o poeta!… Por Marcos Nogueira; leia

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Lola, o poeta!…

Há dias que me propus a escrever mais algumas coisas a respeito de Jomaci Dantas. Não vi interessante, porém, traçar mais linhas para falar desse talentoso poeta, antes de mais uma etapa de vida, ele que se multiplica no palco, ao se transformar no Lola, o poeta!

E não é assim nas estórias em quadrinhos, onde assistimos ou lemos Super – Homem e outros heróis com suas façanhas realmente fantásticas! A diferença é que, nas telas ou nos gibis, vemos apenas o produto da imaginação de alguns escritores e produtores. Aqui, não, é real, são simples mortais que se transformam em cantadores afamados e que têm unicamente o coração unido à mente fértil, capazes de lhes dar essa “força” que se traduz em versos rimados e cheios de conteúdos, que variam ao gosto da plateia que assiste às belas cantorias . ” Sua alma é a viola, a vida, o sertão! E por onde vão passando, o seu canto vão deixando, nos feitos da história. E um passado de glória, de outros cabras de fama…quanta imaginação, ele fazem uma louvação, tirada do repente a quem de direito presencia!”

Assim são os Poetas da Viola deste nosso Nordeste. Homens que vestem a roupa apropriada dos ‘rouxinóis’ madrugueiros, sendo que estes ” pássaros”, de vozes maviosas, normalmente “cantam” ao anoitecer e terminam seus cânticos ao brilho do luar e das estrelas!

Se assemelham aos vaqueiros, logo vestem a couraça ou gibão; aí se embrenham pelas matas , enfrentam os diferentes desafios e ainda são capazes de dar aboios em sinal de vitória! Esses são nossos verdadeiros heróis, homens tipicamente sertanejos, na fala e na rima! Assim é Jomaci Dantas, da casa de taipa e alpendre, escondendo sua verdadeira identidade, igualmente outros da sua “galáxia”, esperando o instante para se transformar em Lola, o poeta! E Lola muito lutou para chegar ao Panteão, lugar onde vivem esses bravos cultores da verdadeira poesia, sem o contar de sílabas e sem o lápis a rabiscar as rimas!

E foi nesse local que Lola se instalou um dia, para fixar sua eternidade! E lá estão tantos outros da estirpe do amigo agora citado:

Jomaci Dantas já publicou vários livros, escritos quando ele estava sendo o ” outro”, aquele que faz estórias e conta histórias, sempre na cadência rimada dos versos. Sou cativo de ambos e sempre que posso ouso dar pitaco na arte desses intrépidos narradores da beleza do nosso Sertão ou, mesmo, da nostalgia, quando a ave de arribação avoa pra outras plagas, justamente quando o solo se faz em rachaduras, como lábios ressequidos: é o quadro triste da seca!

Lola atravessou essas etapas, tendo fibra para entoar a voz, num lamento que faz pungente até a viola. E a esse irmão, com orgulho, posso dizer do brilho em me dizer fruto das mesmas árvores, tais quais as baraúnas literárias!

Jomaci Dantas pensou em ” pendurar” a viola. Lola pedia que não o fizesse, pois assim ele morreria. Nós também fizemos nosso apelo. Falou a voz do coração e Jomaci Dantas não somente vai continuar a eterna peleja, como, no dia 3 de fevereiro de 2023, ao lado de Ivanildo Vila Nova estará realizando uma cantoria tipo pé- de – parede, na Fundação Ernani Sátiro, onde Lola, com o nome de Jomaci, lançará outro livro , com o título: Poemas de minha vida, com o prefácio desse humilde jornalista. Com certeza, lá do céu, José Tota se fará presente em mais um momento de muita grandeza e luz! Eu não vou esperar ser convidado…a noite de 3 de fevereiro do próximo ano promete ser bem melhor, na voz de quem improvisa e no dedilhar da viola… Ivanildo Vila Nova, o afamado vate e Lola, o poeta!

Jornalista Marcos Nogueira.