Em dez anos, casos de jovens com vírus do HIV crescem mais de 170% na Paraíba

Em uma década, a quantidade de adolescentes e jovens entre 15 e 39 anos de idade contaminados por HIV/Aids aumentou 174,8% (passando de 207 para 569 casos) na Paraíba. Os números têm preocupado as autoridades de saúde, pois a desinformação, principalmente no público jovem, de que a Aids se tornou uma doença crônica assim como o diabetes e a hipertensão arterial tem sido apontada como um dos fatores contribuintes para o aumento dos casos. Além disso, a alternância de parceiros sem o uso de preservativo nas relações sexuais (principal método de prevenção) também tem sido outro fator indicativo para o crescimento dos registros tanto do vírus quanto propriamente da doença já instalada. Seis mil pessoas com HIV/Aids tomam medicamentos na Paraíba.

“Quem vê cara, não vê Aids”. Essa frase é sempre usada nas campanhas de conscientização sobre a necessidade da prevenção. No entanto, é importante lembrar que por trás de um corpo escultural/sarado ou de aparência de saúde pode se esconder o vírus HIV ou a Aids. Por conta disso, o uso de preservativo é o principal método de prevenção. A Aids é uma doença grave e que leva a morte. Porém, as gerações mais novas, não tem atentado para a gravidade desse problema de saúde. É necessário buscar se informar corretamente em sites confiáveis como o do Ministério da Saúde, por exemplo, sobre os perigos e as estatísticas de infeção do vírus e da doença.

A gerente Operacional de IST, HIV, Aids e Hepatite da Secretaria de Estado da Saúde (SES-PB), Ivoneide Lucena, comentou que a Aids é uma doença que, infelizmente, não está mais provocando medo a população, em especial no público jovem. “O que tem acontecido é que a urgência na troca de parceiros, ficando e não se protegendo, os jovens não tem usado camisinhas nas relações sexuais”, afirmou, destacando que a ideia de alguns jovens é que a Aids não mata, o que é uma afirmação totalmente errônea. Hoje, nas estatísticas dos casos notificados na Paraíba, os índices lideram com no público de jovens héteros.

De acordo com o médico infectologista Fernando Chagas, o uso de camisinhas é fundamental na prevenção e os jovens precisam atentar para a gravidade da doença. “Percebemos que uma parcela significativa não tem uma preocupação do uso do preservativo. Até porque, talvez, eu não posso dizer como uma verdade, mas como uma possibilidade, na cabeça deles (jovens), a imagem da Aids, a morte pela doença, esteja muito distante, como se não fizesse parte da realidade deles e consequentemente eles não precisassem ter medo da doença”, observou. Com isso, destacou que nas gerações anteriores, a juventude temia a doença, pois artistas da época morrerem em decorrência como Cazuza, Freddie Mercury e Renato Russo (que preferiu não usar o medicamento). Isso provocou um choque na vida de muitas pessoas. Hoje, por desconhecimento ou desinformação, as mortes não têm chocado a população. No entanto, todos os anos morrem paraibanos por conta da doença.

Diferença

O infectologista Fernando Chagas explicou a diferença entre ser portador do vírus HIV e desenvolver a Aids ou Sida – Síndrome daImunoDeficiência Adquirida.

“Qual a diferença? Ser portador do vírus necessariamente não quer dizer que a imunidade esteja destruída. Pode-se diagnosticar o vírus numa fase inicial de infecção. Com o uso dos medicamentos daria tempo de frear a ação do vírus sem ter a imunidade destruída e viver como portador do vírus sem sintomas na maioria das vezes. Já a Aids é quando o vírus já se tornou doença no organismo, destruiu a imunidade, destruiu as células Linfócitos CD4, que são as principais células acometidas pelo vírus”, comentou.

As células Linfócitos CD4 servem como maestras do sistema imune. “Ela meio que mostra para o resto da imunidade que o vírus está presente. Sem essas células, o vírus entra despercebido, então a imunidade é atacada violentamente, o corpo fica aberto a qualquer outro tipo de infecção”, frisou, acrescentando que a Aids provoca a imunodeficiência, ou seja, expõe o organismo a vírus, bactérias, protozoários, fungos, cânceres e vários tipos de tumores.

“Há uma infinidade de ataque externos, expondo, porque o vírus destrói toda a defesa do corpo. Nem todo paciente portador do vírus desenvolve a Aids. Agora, muitas vezes, o paciente já chega para a gente com o diagnóstico de Aids”, comentou.

Aline Martins – Correio da Paraíba