Morre o poeta paraibano Daudeth Bandeira

Faleceu nessa segunda-feira, 16 de fevereiro, aos 80 anos, o poeta, repentista, cantador e compositor Daudeth Bandeira, um dos nomes mais respeitados da cantoria nordestina. Natural de São José de Piranhas, no Alto Sertão da Paraíba, ele dedicou a vida à poesia improvisada, à música de raiz e à valorização das tradições culturais do Nordeste brasileiro.

Nascido em 9 de junho de 1945, Daudeth tinha como nome de batismo Manuel Bandeira de Caldas. Era o caçula de uma família marcada pela poesia e pela cantoria. Filho de Tobias Pereira de Caldas e Maria de França Bandeira, era neto do consagrado cantador Manuel Galdino Bandeira e irmão dos também poetas e repentistas Pedro, Francisco e João Bandeira. Desde cedo, cresceu cercado por violas, versos e desafios poéticos, iniciando ainda jovem sua trajetória na arte da rima e do improviso.

Ao longo da carreira profissional, participou de festivais, congressos, encontros e torneios de cantadores em diversas regiões do país, acumulando prêmios e reconhecimento. Seu estilo era marcado pela agilidade no improviso, domínio vocabular e firmeza temática, qualidades que lhe garantiram respeito entre estudiosos da cantoria, colegas de profissão e admiradores da poesia popular.

Além da atuação nos palcos, Daudeth Bandeira deixou um relevante legado fonográfico. Participou de diversos projetos musicais, entre eles Um Voo na Poesia, Capim Verdão, O Grande Desafio, Frenacrep, Cantares da Terra e Estação Nordeste, dividindo gravações com importantes nomes da cantoria, como Louro Branco, Benoni Conrado, Pedro Bandeira e Juvenal Evangelista.

O velório acontece na Funerária Rosa de Saron, localizada na Avenida Vasco da Gama, nº 792, no Centro de João Pessoa. O sepultamento está marcado para acontecer na manhã desta segunda-feira, 17 de fevereiro, no Parque das Acácias, situado na Rua Luiz de Lima Freire, nº 200, no bairro José Américo de Almeida, também na capital paraibana.

Com sua partida, a poesia nordestina perde uma de suas vozes mais autênticas, mas sua obra, seus versos e sua contribuição à cantoria permanecerão vivos na memória cultural do povo.

DIÁRIO DO SERTÃO