O papa Leão XIV condenou o uso da força militar como meio de alcançar objetivos diplomáticos nesta sexta-feira (9), proferindo um discurso anual de política externa excepcionalmente inflamado, no qual também pediu a proteção dos direitos humanos na Venezuela.
Leão XIV, o primeiro papa dos Estados Unidos, afirmou que a fragilidade das organizações internacionais diante de conflitos globais é “um motivo de particular preocupação”.
“Uma diplomacia que promove o diálogo e busca o consenso entre todas as partes está sendo substituída por uma diplomacia baseada na força”, declarou o pontífice para cerca de 184 embaixadores credenciados no Vaticano.
“A guerra voltou à moda e um fervor bélico está se espalhando”, enfatizou ele.
“Respeitem a vontade dos venezuelanos”, diz Leão
Referindo-se à captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro pelas forças americanas, a mando do presidente Donald Trump, no último fim de semana, o pontífice pediu que os governos do mundo “respeitem a vontade” do povo venezuelano daqui para frente.
As nações devem “salvaguardar os direitos humanos e civis” dos venezuelanos, acrescentou Leão.
Os comentários fizeram parte de um discurso que às vezes é chamado de discurso do papa sobre o “estado do mundo”. Foi o primeiro discurso desse tipo proferido por Leão XIV, eleito após a morte do papa Francisco.
Os embaixadores dos Estados Unidos e da Venezuela junto à Santa Sé estavam entre os presentes no evento.
O pontífice, anteriormente conhecido como cardeal Robert Prevost, serviu como missionário no Peru por décadas antes de se tornar papa. Ele já havia criticado algumas das políticas de Trump, em particular as relacionadas à imigração, mas não mencionou o presidente americano nominalmente em seu discurso desta sexta-feira.
Ele demonstrou um tom mais moderado e diplomático nos primeiros oito meses de seu papado, em comparação com seu antecessor, Francisco, que frequentemente estampava manchetes com comentários espontâneos.
Leão XIV adota tom mais intenso
Mas, em seu discurso de 43 minutos nesta sexta-feira (9), o papa americano adotou um tom mais incisivo, condenando firmemente os conflitos em curso no mundo, mas também criticando duramente as práticas de aborto, eutanásia e barriga de aluguel.
Em uma linguagem incomumente firme para um pontífice, Leão XIV também alertou que a liberdade de expressão está “diminuindo rapidamente” nos países ocidentais.
“Está se desenvolvendo uma nova linguagem ao estilo orwelliano que, na tentativa de ser cada vez mais inclusiva, acaba excluindo aqueles que não se conformam às ideologias que a alimentam”, disse ele.
O pontífice também criticou o que chamou de “uma forma sutil de discriminação religiosa” sofrida pelos cristãos na Europa e nas Américas.
CNN Brasil

